Um presente de mamãe para bebê: a importância do pré-natal

05/09/2015 – Zero Hora – RS

A maior prova de amor que uma mãe pode dar ao seu bebê, ainda na barriga, é fazer o acompanhamento pré-natal. Dá-se esse nome a um conjunto de exames que ajudam a detectar não só possíveis má-formações do feto, mas que também garantem a saúde da gestante, evitando abortos espontâneos e partos prematuros.

Além disso, as consultas com o médico ajudam a mulher a enfrentar todas as mudanças que acontecem no seu corpo, tanto físicas como psicológicas. Garantir um período gestacional saudável contribui na hora do parto e no desenvolvimento do bebê depois do nascimento.

Roberta Bernardy Pedroso e Ingrid Grabin são duas futuras mamães. Roberta espera gêmeos há 14 semanas. Ingrid, com 39 semanas, está com cesárea marcada para este sábado, quando nascerá Isabela. Um ponto em comum entre as duas gestações é o cuidado que as duas mulheres dedicam aos bebês ainda na barriga.

Roberta, 34 anos, é nutricionista, dona de um salão de beleza e uma futura mamãe apaixonada. O sonho dela, desde criança, era ter gêmeos. Filha de um médico, logo que descobriu a gravidez, ela não quis esperar pela consulta com o obstetra e já fez os exames de sangue a pedido do pai.

– Eu fiz um hemograma completo, mais o exame de toxoplasmose, de HIV, enfim, todos os necessários para garantir que eu estava bem. Assim, era uma garantia de que o bebê também estaria – explica a nutricionista.

Com os exames em mãos, ela foi à consulta com o especialista. Lá, a gestante fez o primeiro ultrassom. A grande surpresa da consulta foi que seu sonho começava a tomar forma: Roberta estava carregando dois bebês na barriga. Com as 14 semanas completadas nesta sexta-feira, a futura mamãe já soma três exames de imagem.

Mudanças para melhor

A gravidez trouxe mudanças à rotina da dona de salão de beleza. Hoje, ela não faz mais tintura nem progressiva nas clientes – e também aboliu a química nos próprios cabelos. A gestante também passou a comer mais frutas e regrar as refeições:

– A gente pensa mais neles do que em nós. O acompanhamento é muito importante, tanto que fiz os exames mesmo antes de achar um médico. Tudo pode afetar o desenvolvimento do bebê, ainda mais nessa fase que eles estão se desenvolvendo.

O ginecologista e obstetra Rodolpho Mello Netto aconselha que, assim que a mulher descobrir a gravidez, ela procure um médico para começar o pré-natal.

– A maioria das gravidezes ocorre sem nenhuma intercorrência. Mas existe uma parcela que exige cuidados, tanto por situações prévias à gestação, como diabetes, HIV, pressão alta, como pelas que podem surgir durante. É por isso que esse acompanhamento é importante. São consultas regulares, mensais ou quinzenais, conforme a situação de cada mulher – explica o médico.

Nove meses depois…

Ingrid, 33 anos, é fisioterapeuta e estudante de direito. Ela conta que começou a fazer os exames de saúde antes mesmo de engravidar, conforme recomendação médica. Depois de constatada a gravidez, o cuidado permaneceu. Tanto que, às vésperas do parto, ela soma 10 consultas com o obstetra, além de todos os exames indicados pelo médico.

– Eu fiz uma consulta por mês e, no último, uma por semana. No primeiro trimestre, fiz o ultrassom morfológico. Com 22 semanas, fiz outro, que identificou o sexo do bebê. Fiz a translucência nucal e um ecocardiograma do bebê. Enfim, todos os exames recomendados – conta a fisioterapeuta.

Ingrid explica que procurou se manter informada durante toda a gravidez, para saber o que era bom e o que poderia ser ruim para o bebê. A fisioterapeuta conta que conversou com o médico sobre fazer mechas no cabelo, e ele permitiu a tintura a partir do terceiro mês. Essa espera também é recomendada pelo doutor Rodolpho, já que esse é o tempo de consolidação da gravidez. Porém, ele indica que a paciente converse com o seu médico antes de se submeter a qualquer tipo de química.

– A saúde da mãe tem que estar ótima para a do bebê também estar. Eu fiz caminhadas e pilates com frequência. Sempre pensando antes no bebê. Devemos tentar fazer de tudo um pouquinho e ser feliz, porque o bebê sente tudo que a gente está sentindo também – declara a futura mamãe.

O acompanhamento

Os exames específicos feitos por Roberta e Ingrid são indicados para todas as gestantes. A necessidade da realização deles é determinada nas consultas com o especialista. De acordo com o doutor Rodolpho Mello Netto, ginecologista e obstetra, as visitas ao médico devem ser regulares, feitas mensalmente ou a cada 15 dias, conforme a situação de cada mulher.

– Além do acompanhamento do feto, o pré-natal ajuda a identificar se uma gestação é de alto risco. Caso ela seja classificada desta forma, as consultas serão mais frequentes e, dependendo da situação, os exames serão mais intensificados e específicos para cada problema – explica o obstetra.

Para uma gestação sem intercorrências, o indicado é que a gestante consulte com o médico pelo menos sete vezes. Em relação aos ultrassons, é indicado que a futura mamãe faça três. Um morfológico, para rastrear má-formações já no primeiro trimestre da gravidez. O segundo deve ser feito entre a 18ª e 24ª semanas. Nesse, é possível ver toda a formação dos órgãos do bebê, assim como fazer uma medição do colo do útero da gestante, para verificar se existe uma chance aumentada de o feto nascer antes do tempo. O último ultrassom deve ser feito no terceiro trimestre. O objetivo é ver o tamanho do bebê, a placenta e a quantidade de líquido amniótico.

Os exames recomendados

Confira quais exames são indicados que a gestante faça ao longo da gravidez:

No SUS

Para o doutor Rodolpho, que atende tanto em consultório particular quanto em uma Unidade de Estratégia de Saúde da Família, o Brasil vive duas realidades distintas. Ingrid e Roberta seguem um protocolo de acompanhamento desenvolvido junto com o médico no consultório. Mas e no SUS, como funciona o pré-natal?

A coordenadora da Política de Saúde da Mulher, enfermeira Vanessa Preigschadt Martins, explica que as gestações de baixo risco são acompanhadas no próprio posto de saúde. O recomendado é que, até o sétimo mês, a gestante faça uma consulta por mês. Depois, elas devem ser mais frequentes. Nessas consultas, são feitos exames de sangue e urina, assim como testes de HIV e sífilis. Além disso, há também um detector fetal, que verifica os batimentos do bebê.

– Quanto aos ultrassons, a recomendação é que as grávidas façam dois: um no primeiro trimestre e outro no segundo. Como os postos de saúde não têm o aparelho, eles intermediam o agendamento com a Secretaria de Saúde e o estabelecimento que realiza o exame. A espera leva em torno de três semanas – explica Vanessa.

De acordo com a enfermeira, todos os postos de saúde de Santa Maria (30 no total) fazem o acompanhamento de pré-natal e, também, o encaminhamento para os exames de imagem.

O pré-natal das gestações de alto risco é feito no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), assim como as emergências. Mas existe uma diferença: para o pré-natal, a gestante é encaminhada pelo posto de saúde, que agenda o horário, e a futura mamãe deve levar a documentação fornecida pela unidade. Já as emergências são atendidas sem encaminhamento.

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