OMS propõe mudanças por uma nova velhice

01/10/2015 – Correio Braziliense

 

Paloma Oliveto

Os avanços da medicina têm aumentado a longevidade. Mas, em muito países, o viver mais não veio atrelado ao viver bem. A constatação é o ponto-chave do Relatório mundial sobre envelhecimento e saúde 2015, divulgado ontem pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A agência da ONU defende uma mudança radical nas condutas sociais e nas políticas públicas para que o cenário se torne mais equilibrado. “Precisamos assegurar que esses anos extras sejam saudáveis, significativos e dignos. Alcançar isso não será bom apenas para as pessoas mais velhas, mas para a sociedade como um todo”, defendeu Margaret Chan, diretora-geral da entidade.

O documento propõe três grandes ações para permitir que os idosos “de hoje e de amanhã tenham a capacidade de inventar novas formas de viver”. A primeira consiste em transformar os lugares em ambientes agradáveis para as pessoas mais velhas. A segunda é voltada para o realinhamento dos sistemas de saúde. Em vez de girarem em torno de problemas agudos, eles devem “fornecer cuidados contínuos para as doenças crônicas, que são mais prevalentes na idade avançada”.

Nesse ponto, o relatório indica o Brasil como fonte de inspiração. “As iniciativas que já se revelaram bem-sucedidas podem ser ampliadas e introduzidas em outros países. Os exemplos incluem a criação de equipes compostas por diferentes especialistas, como fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, médicos e enfermeiros, no Brasil, bem como a partilha de prontuários informatizados entre instituições de assistência no Canadá”, informa o texto. O último ponto foca na criação de sistemas de cuidados a longo prazo que possam reduzir o uso inadequado dos serviços de saúde e garantam que as pessoas vivam seus últimos anos com dignidade.

John Beard, diretor do Departamento de Envelhecimento e Curso de Vida da OMS, ressaltou que o cenário atual é ainda mais desfavorável em países pobres e para as mulheres, perfis “também mais suscetíveis a ter a saúde mais comprometida”. “Infelizmente, os 70 ainda não parecem ser os novos 60. Mas poderiam ser, e devem ser”, defendeu. As mudanças se tornam ainda mais urgentes, indica o relatório, diante das estimativas em torno do envelhecimento mundial. Hoje, a OMS contabiliza que haja em torno de 900 milhões de idosos, cerca de 12,3% da população total. Em 2050, eles representarão 21,5% do planeta, pouco mais que um quinto da população mundial.

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