Medicina com toque estrangeiro

08/12/2015 – Jornal de Santa Catarina

 

Eles vieram de lugares com culturas e língua diferentes em abril de 2014 para cuidar do outro. São argentinos, bolivianos, colombianos, mexicanos, uruguaios e venezuelanos que desde o ano passado moram em Blumenau e integram o programa Mais Médicos. Neste intercâmbio, os estrangeiros deixam de lado barreiras do idioma e imprimem técnicas, aprendizados e ações que se somam ao modelo da rede pública de saúde.

Entre esses profissionais estão Juan Manuel Fernandez Perez e Viviana Gisela Knappe. Pediatras de formação, o casal argentino veio junto para Blumenau. Ele é o médico responsável pela Estratégia de Saúde da Família (ESF) Haroldo Ewald, no bairro Itoupavazinha, e ela responde pela ESF Ivanilde Bernardi, na Água Verde.

No postinho Haroldo Ewald, a enfermeira coordenadora Ana Paula Machado conta que Juan é bem visto pela comunidade e pela equipe, que com ele iniciou uma nova rotina de atendimentos. Normalmente a enfermeira é quem faz o acolhimento dos pacientes antes das 9h e a triagem, para então mandar a pessoa para o médico se for preciso. Mas Juan a acompanha na triagem para agilizar o processo e aumentar o número de consultar diárias, além de se aproximar da comunidade.

O doutor trabalha em equipe, se esforçou para aprender as rotinas do SUS e os encaminhamentos, que são diferentes da origem dele conta Ana.

Com paciência para falar lentamente a mistura de português e espanhol, Viviana ressalta que escutar e conversar com os pacientes é um ponto essencial das unidades de saúde da família.

Percebemos que os problemas nem sempre são de saúde, mas às vezes sociais. O paciente tem algum problema e acaba indo para o posto em busca de alguém pra ouvir o que ele tem a dizer explica.

A atenção é recompensada. Nas duas unidades os pacientes elogiam o atendimento dos argentinos e falam que o sotaque não é uma barreira.

Ele dá atenção, é muito bom. Tomara que fique muito tempo aqui diz Nélson Fidelis, morador da Itoupavazinha.

Proximidade maior com a comunidade

A estrutura das ESFs ajuda a melhorar o relacionamento do médico com os colegas e pacientes, avalia o professor João Gurgel, que dá aula no mestrado em saúde coletiva na Furb: Na ESF o médico não fica na sala receitando remédio, ele precisa ouvir e ter contato com a família. É um desafio para o estrangeiro porque ele precisa entender a realidade da comunidade, mas é um contexto que facilita o processo de adaptação.

Blumenau tem hoje 15 profissionais do Mais Médicos atuando em unidades de ESF. Os outros três que vieram ao município pediram dispensa por motivos pessoais, de acordo com o médico supervisor do programa na cidade, Rafael de Franceschi. Ele ressalta que os médicos supriram a demanda de postos de saúde que estavam sem profissionais. Blumenau fez parte da terceira etapa do programa.

lucas.paraizo@santa.com.br

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